domingo, setembro 09, 2007 

de carvalho!

esse infeliz tem dor de dentes
mais do que sentes os teus pesares
nunca ele viu como era diferente sentir em mente
o teu dormente acordar.

saimos nessa rua de vontades e de olhares
olharemos então o que nos cobre
e nos deixa nus de vergonha
como bicho que lavra a madeira.
de carvalho!

segunda-feira, agosto 13, 2007 

talvez se vão fazendo horas. entorpecido que está o deslizar da minha locução escrita, esforços muitos são os que os artilheiros da boa vontade fazem por mim. emboram não assumam, eles escrevem num papelinho que eu mereço. sei que vão andar o resto da vida com as mãos atrás das costas. a postura também tem o seu peso, acreditam eles que eu acredite nisso. não que desacredite mas.. neste caso junta-se a fome à vontade de comer e isso faz de mim especialista em esquecer tira-teimas pertinentes.
não sabendo eu que sou merecedora de seja lá o que for, segundo a consideração dos outros, tenho ao menos para mim, de esperança e talvez de crença, que algo se salve.

sexta-feira, julho 27, 2007 

não há que temer o que eu possa descobrir.

sexta-feira, junho 29, 2007 

pensamento vertical/pensamento horizontal

pensamento vertical.- pensamento criativo, com grande e vasto potencial de ascensão. capacidade de verticalizar a linha do raciocínio. graficamente, este tipo de pensamento representar-se-ia por uma recta crescente, progressiva. é característico de quem sobe a escada dos degraus sólidos, normalmente pelo próprio construídos. a solidificação de cada degrau varia de indivíduo para indivíduo, assim como o tempo de construção e a resistência do mesmo.
a regressão verifica-se quando ocorre desmoronamento de um degrau, por intabilidade, fraqueza do mesmo. essa falência pode dar-se quando o indivíduo ambiciona e tenta criar um novo degrau, sem esperar que o anterior se constitua como base sustentatória de nova aquisição. pode também ocorrer pelo simples facto de o degrau não suportar a densidade do próprio construtor, por desfazamento entre a dimensão mental e a dimensão comportamental do indivíduo.
o pensante vertical tem fortes aspirações e trabalha a favor da auto-realização, tendo noção da sua condição.
próprio de que te sangue frio.



pensamento horizontal.- pensamento cómodo, acomodado, com potencial mínimo de ascensão. caracteriza-se pela sua linearidade e constância. a horizontalidade da linha de raciocínio é denunciadora de fraca ambição. transportando este tipo de pensamento para uma representação gráfica, obter-se-ia uma recta horizontal, isenta de oscilações. é característico de quem passeia sobre a estrada dúbia, normalmente construída por outros. a direcção, assim como a firmeza e convicção dos passos, varia de indivíduo para indivíduo. o número de passos compreende-se entre o zero e o infinito, positivo ou negativo, sendo que no primeiro caso, o indivíduo opta por manter o seu estado imóvel, e no segundo caso, opta por andar a quantidade de passos que desejar.
neste tipo de pensamento, a regressão e a progressão constituem-se como conceitos meramente virtuais, na medida em que o deambulante não ascende a nenhum patamar concreto. verifica-se o seu inverso.
o pensamento horizontal está intimamente ligado a uma linha temporal, em que Passado, Presente e Futuro são os parâmentros básicos. o indivíduo caminha entre estes três postes, em sentido arbitrário, procurando um objecto de desejo temporariamente satisfatório.
próprio de quem tem sangue quente.



(salvos todos os erros de matemática, este texto é apenas uma tentativa explicativa de dois tipos de pensamento. sem pó!)

 

alinhava-se, cose-se, reforça-se, sutura-se.

sexta-feira, maio 18, 2007 

sou um

poço cheio de qualquer coisa, prestes a explodir de não sei quê.

 

"conversa"

de mim para mim falo. dedico a mim própria algumas palavritas. singelas, nunca ditadoras.











convém não adormecer sobre o teclado..

 

com humidade nos olhos

lágrimas.
lágrimas.
lágrimas.
ao que sou,
ao que não sou,
ao que deixo de ser..

 

ao espelho

sou aquela que vês frequentemente, mas que não sabes bem quem é.

quinta-feira, abril 19, 2007 

que nunca nos forcem a ver feio aquilo que é bonito.

terça-feira, abril 17, 2007 

como

como se pergunta e se tem resposta?
como se associam duas partes distantes?
como se utiliza o saber?
como se compra um objecto sensível?
como se abre algo fascinante?
como se torna audível a voz do interior?
como se adora um deus que nunca esteve no altar?
como se come sobremesa debaixo da mesa?
como se dorme sobre a alvorada?
como se lava a alma?
como se tritura a tortura?
como se constroem castelos de areia?
como se adormece sobre lençóis de água?
como se ouve a mudez?
como se danifica algo inquebrável?
como se aceitam incompreensões?
como se filtram águas paradas?
como se domina a língua sensível?
como se estima o valor humano?
como se tem a sorte de ter sorte?
como se tratam líquidos doentes?
como se depositam os sais de duche?
como se dá a volta a triângulos-rectângulo?
como se cose um ovo?
como se organiza um evento desinteressante?
como se bebe de boca fechada?
como se come de mãos atadas?
como se organiza o que não possui ordem?
como se agendam eventos não importantes?
como se torna feio algo bonito?
como se descortina o que está à mostra?
como se verifica o não exposto?
como se corta o vento?
como se misturam as palavras?
como se faz o mesmo de modo diferente?
como se constitui família quando se é estéril?
como se oferecem oportunidades banais?
como se fala com as palavras todas?
como se acham sentimentos no escuro?

 

tenho saudades do mar com tal infantilidade que me espanta. vou aceitar esse facto.
quando tiver oportunidade de estar perto dele, vai ser muito bom. vou gostar.