idolatria
propedêutica da minha vida.
ela começa por compor-se do presente modo. pouco tolerada por cerrados, bastante aceite por promíscuos. define-se pela base da indefinição e já perdi a conta às vezes que tentei estruturá-la. mas admito que poucas foram as tentativas verdadeiramente incisivas. fugi-lhe sempre, ou quase, do valor, do princípio, da ética ou da moral. ocasionalmente assustam-me. e igualmente em ocasião persistente, mas fugaz, sente-se. sinto a necesidade do odor destas pequenas grandes aversões. chego a agoniá-las e a idolatrá-las em uníssono. por vezes esbato-as sobriamente, a agonia e a idolatria. casei-me com a inconsciência, mantendo relacionamento adúltero esporádico com a sua rival. penso que nunca gostarei tanto de tal estado matrimonial na minha vida. eu sei que a honrarei e a amarei até à morte. eu aceito-a e assumo-a. faz parte da minha existência como a alma para aqueles que já a conseguiram assinar. teoricamente confusa e praticamente não melhor, eu perdi a mais fina peça do meu pensar. por isso, e já há uns tempos, limitei-me a uma dissertação aparentemente coerente, subtíl e impragnada de doses cavalares de autorepressão. os mecanismos de defesa do meu ego estão completamente fora do contexto da parte de mim que sente. é incompreensão pura. não por falta de vontade dos que por aí circulam. não primo pela expressão limpa.
tentando, e sempre em tentativa, filtrar a informação, geralmente os poros do material que eu escolho e defino como o mais adequado à filtragem, deixam que fugas de matéria considerável aconteçam, o que não faz de mim uma pessoa dotada para a actividade. mas eu insisto. fica bem insistir. principalmente numa coisa que, mesmo sabendo que não vale a pena, nos convencemos de que vale. tem de valer. é necessário que valha. caso contrário o acreditar não fazia sentido. nem no senso comum, quanto mais nos múltiplos esquemas filosóficos e respectivas críticas. a minha exibe roupagem perdida, vagabunda e boémia. muitos pensam que a comprei e arriscam-se em palpites de custo. outros conseguem vê-lo como uma película que, produzida intrinsecamente, brota e reveste o exterior. eu diria que já a possuindo, comprei-a. não consigo aclarar mais a questão. foge do meu entendimento consciente actual. o que há a fazer? continuar a ser isto ou difrente disto. ignoro a essência exacta do meu problema, se é que a questão constitui um válido, plausível problema.
vivo numa sala escura com um interruptor na mão..
ela começa por compor-se do presente modo. pouco tolerada por cerrados, bastante aceite por promíscuos. define-se pela base da indefinição e já perdi a conta às vezes que tentei estruturá-la. mas admito que poucas foram as tentativas verdadeiramente incisivas. fugi-lhe sempre, ou quase, do valor, do princípio, da ética ou da moral. ocasionalmente assustam-me. e igualmente em ocasião persistente, mas fugaz, sente-se. sinto a necesidade do odor destas pequenas grandes aversões. chego a agoniá-las e a idolatrá-las em uníssono. por vezes esbato-as sobriamente, a agonia e a idolatria. casei-me com a inconsciência, mantendo relacionamento adúltero esporádico com a sua rival. penso que nunca gostarei tanto de tal estado matrimonial na minha vida. eu sei que a honrarei e a amarei até à morte. eu aceito-a e assumo-a. faz parte da minha existência como a alma para aqueles que já a conseguiram assinar. teoricamente confusa e praticamente não melhor, eu perdi a mais fina peça do meu pensar. por isso, e já há uns tempos, limitei-me a uma dissertação aparentemente coerente, subtíl e impragnada de doses cavalares de autorepressão. os mecanismos de defesa do meu ego estão completamente fora do contexto da parte de mim que sente. é incompreensão pura. não por falta de vontade dos que por aí circulam. não primo pela expressão limpa.
tentando, e sempre em tentativa, filtrar a informação, geralmente os poros do material que eu escolho e defino como o mais adequado à filtragem, deixam que fugas de matéria considerável aconteçam, o que não faz de mim uma pessoa dotada para a actividade. mas eu insisto. fica bem insistir. principalmente numa coisa que, mesmo sabendo que não vale a pena, nos convencemos de que vale. tem de valer. é necessário que valha. caso contrário o acreditar não fazia sentido. nem no senso comum, quanto mais nos múltiplos esquemas filosóficos e respectivas críticas. a minha exibe roupagem perdida, vagabunda e boémia. muitos pensam que a comprei e arriscam-se em palpites de custo. outros conseguem vê-lo como uma película que, produzida intrinsecamente, brota e reveste o exterior. eu diria que já a possuindo, comprei-a. não consigo aclarar mais a questão. foge do meu entendimento consciente actual. o que há a fazer? continuar a ser isto ou difrente disto. ignoro a essência exacta do meu problema, se é que a questão constitui um válido, plausível problema.
vivo numa sala escura com um interruptor na mão..